Dia a dia

Rachas na RS-239 em Sapiranga é problema difícil de solucionar



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Sapiranga – Um problema, e um crime, recorrente na RS-239, em Sapiranga, entre os quilômetros 25 e 27 (no trecho entre os dois viadutos da cidade), são os pegas, ou rachas, realizados, normalmente, aos sábados à noite.

O comandante da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) de Sapiranga, Dalvo Tadeu da Rocha, confirma a prática, as frequentes denúncias recebidas e a dificuldade em combater o problema. “Esses guris não têm apego à vida. Pegam uma moto pequena, sem segurança nenhuma, sem capacete. O risco de acidente é muito grande. Para evitar, só se enchesse de policial na rodovia, mas aí a gente não tem como”, pontua, salientando que para aqueles que participam, geralmente jovens condutores, com a primeira habilitação recém emitida, a realização de rachas é vista como uma brincadeira. “É o prazer deles, aquilo ali é um esporte. Uma brincadeira, só que é uma brincadeira grave”, destaca. Para combater, fiscalizações constantes são realizadas nos locais. E a regra adotada pelo pelotão, conforme Rocha, é escrever diversas multas, considerando todas as irregularidades observadas. Veículos também são fiscalizados, visando inibir e combater a prática como um todo. “Às vezes, o carro não faz racha, mas dá público para quem faz. E se dá público, movimenta, e movimenta as apostas”, ressalta.

Guilherme Pilger

Dificuldade para controlar


A prática do racha, conforme o comandante, é difícil de punir por ser difícil de flagrar o ato. “A gente fiscaliza em cima de outras infrações. Justamente porque é difícil pegar fazendo racha. Combater que é o problema. Precisaria de um número grande de policiais, de policiais com moto, com moto potente, uma série de coisas”, avalia. Rocha ainda revela que está buscando uma forma de colocar uma câmera para monitorar exatamente no ponto em que os pegas acontecem com frequência. “Sábado é o problema dos rachas. Mas não tem como dar uma atenção maior porque a nossa demanda de policiamento é muito grande. Sábado é o dia que mais tem ocorrência também. A gente precisa priorizar”, pontua.

Mudança no CTB facilita punição

Em dezembro do ano passado, o Código de Trânsito Brasileiro – CTB – teve alguns pontos alterados, como o artigo 308, Lei 9503/97, que define os rachas. A mudança incluiu, entre as hipóteses criminosas, a exibição de perícia em manobra de automóvel. Assim, além da definição de racha como delito, que já era previsto pela legislação anterior, qualquer outra manobra perigosa e negligente, em via pública sem prévia autorização, também é considerada criminosa, resultando, também, na suspensão da habilitação. “Enquadra também qualquer tipo de situação como empinar moto, fazer zerinho. Antes falava especificamente do racha e tinha outras coisas que as pessoas faziam e não tinha enquadramento. Agora ficou mais fácil de punir”, destaca o comandante da PRE. Outra postura adotada pelos policiais rodoviários, também para inibir a prática, é o recolhimento da motocicleta ou veículo flagrado em situação de racha. “A gente não libera. Fica para audiência no Fórum. A pessoa vai ter que pedir para o juiz liberar o carro ou moto. Eu não libero. Se a audiência for para daqui dois meses, ele vai ter que entrar com uma ação pedindo a liberação”, explica Rocha.

Texto e fotografia: Sabrina Strack

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