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Débitos do IPE Saúde com Hospital Sapiranga angustiam diretoria


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Sapiranga – Imagine uma empresa prestar um determinado serviço para uma contratante, e na hora de receber pelo trabalho, a contratante pagar de 30 a 40% dos valores acertados. Ou pior, não dar a perspectiva de quitar totalmente o saldo restante. É exatamente isso que vem ocorrendo entre o IPE Saúde (Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul) e o Hospital Sapiranga, que presta os serviços médicos ao servidores do Estado.

Devido a esse atraso do IPE Saúde com os hospitais prestadores, a instituição sapiranguense acumula valores acima de R$ 2.100.000,00 (dois milhões e cem mil reais) a receber do IPE Saúde e que se arrastam há quase quatro meses. A situação fica ainda mais grave quando a direção unifica ainda os débitos da Secretaria Estadual da Saúde relativo aos procedimentos prestados pelo SUS, e que somam valores acima dos R$ 900.000,000. Ou seja, atualmente, o Hospital Sapiranga possui R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) em aberto e que prejudicam enormemente o fluxo de pagamento de fornecedores e começa a impactar até mesmo os médicos. “Estruturamos o Hospital e possuímos um custo fixo. Em novembro, não repassamos os valores devidos aos médicos relativo aos atendimentos IPE”, revela Elita Cofferi Herrmann, diretora-executiva do Hospital Sapiranga.



Sem respostas e perspectivas, crise se agrava

A direção do Hospital Sapiranga cita ainda que não tem obtido retornos da direção do IPE sobre os débitos. “Não temos resposta do Estado sobre o contexto do IPE. Vamos continuar atendendo IPE ou o convênio será encerrado. Não podemos desestruturar equipes e serviços e parar de atender usuários IPE”, avalia Elita, que é cobrada por médicos.

Elita Cofferi Herrmann esclarece outros pontos conflitantes e que geram insegurança institucional para o Hospital Sapiranga.

“Essa situação afeta todos os hospitais filantrópicos e santas casas do Rio Grande do Sul, responsáveis por 70% do atendimento do SUS. São constantes reuniões e a resposta que obtemos é sempre a mesma: não tem recurso ou previsão com agenda de pagamentos. É um total descaso com a saúde”, desabafa a diretora. Outra aflição de Elita recai sobre a possibilidade de não conseguir honrar com funcionários e fornecedores. “Temos muito medo de não conseguir honrar compromissos. Não temos atrasado o salário dos funcionários até então. Com fornecedores, temos postergado prazos de pagamentos graças à credibilidade do Hospital. A partir de janeiro e fevereiro, teremos títulos vencendo, e em volume”, contextualiza. Outra preocupação recai sobre uma eventual desestruturação do corpo clínico e de profissionais. “Devido a essa inconstância nos pagamentos, os médicos podem começar a se negar a atender e tememos pelo enfraquecimento do corpo clínico e da própria estrutura à disposição”, cita. Outro gargalo enfrentado pela direção é com os pacientes e atendimentos pelo SUS, que precisam de transferência. “Enfrentamos um desgaste diariamente com a equipe e os familiares dos pacientes. Estamos reféns da falta de resolutividade dos nossos hospitais de referência. Manter os profissionais custa caro e não estamos recebendo na totalidade pelos procedimentos efetuados”, contextualiza Elita.

O presidente da Sociedade Beneficente Sapiranguense, João Wolff, demonstrou a sua preocupação com essa crise que o Hospital vem enfrentando neste último ano.


“Nosso caixa está raspado. Nosso medo é esse (de perder médicos capacitados, não conseguir honrar compromissos e enfrentar diariamente a busca por leitos de referência para dar prosseguimento aos atendimentos de rotina). Sempre trabalhávamos com uma reserva para eventuais acidentes de percurso (leia-se atrasos nos repasses do governo estadual e federal), e que se esgotou. São mais de R$ 3.000.000,00 em aberto. Essa dificuldade tem se acentuado e muito. Estamos cada vez mais de mãos atadas, sem ter para onde recorrer. Agora, com o período de transição entre os governos Sartori e Eduardo Leite, até que o governador assuma e tome pé da crise instalada com as instituições filantrópicas e os demais hospitais, se foram seis meses. Precisamos fazer a população entender o caos que está a saúde pública e o IPE neste momento”, pontua Wolff.

O diretor-técnico do Hospital Sapiranga, Eduardo Baibich Melnick, esclarece outro ponto extremamente delicado e que tem prejudicado a resolutividade dos atendimentos aos usuários do SUS.

“Quando existia uma organização nos hospitais referências tudo fluía melhor. O detalhe é que o Estado mudou os hospitais de referências e piorou muito os encaminhamentos. Agora, o acesso está muito difícil e a referência de neurologia, em Canoas, ficou pior no comparativo quando tínhamos o Hospital Centenário, de São Leopoldo, como referência. Todos os acidentes, casos de fraturas de coluna e que precisam de neurocirurgia precisam ficar aqui e não temos como mandar para lugar nenhum. Se mandarmos para Porto Alegre ou qualquer outra instituição, argumentam que a nossa referência é Canoas, mas os hospitais de lá estão praticamente fechados. Com isso, as famílias nos pressionam para resolvermos os casos de seus familiares, mas não depende só de nós. Estamos atuando em inúmeras frentes, inclusive, a judicial na maioria dos casos. Por semana, temos uma média de cinco pacientes que precisam de transferência para as referências, e cada caso se transforma em uma peregrinação. Felizmente, estamos resolvendo uma boa parte dos casos, mas os casos de alta complexidade precisamos do suporte dos grandes centros e para isso não temos uma referência que funcione ou definida”, avalia Eduardo.

IPE Saúde responde

O IPE Saúde informa que está aguardando suplementação orçamentária da Secretaria da Fazenda para repassar os valores devidos aos credenciados do plano. Assim que o valor total estiver disponível para pagamento, serão realizados os devidos cálculos para pagamento dos prestadores. Deverá ser pago mais de R$ 1 milhão ao Hospital Sapiranga.

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