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Caso SüdMetal se arrasta, trabalhadores seguem sem receber seus direitos e terreno vira dor de cabeça


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Sapiranga – Em agosto de 2018, o Repercussão abordou as dívidas milionárias que a SüdMetal têm em débitos trabalhistas e tributos. A situação hoje, em janeiro de 2019, segue praticamente a mesma. O processo, que tramita na 3ª vara de Gravataí, teve a última movimentação em 22 de janeiro, quando foi determinado que fosse unificado os processos do mesmo grupo econômico da SüdMetal, composto ainda por Industrial Hahn Ferrabraz e Fundição Becker, para que então se consolide o quadro geral de credores.

A falência da Süd foi determinada em 24/03/2014 e conforme o administrador judicial da empresa, Clóvis Roberto de Freitas, o último leilão de bens ocorreu em dezembro do ano passado e para iniciar com os pagamentos, se aguarda ainda a consolidação da lista de credores. “Acredito que no máximo em até 60 dias o quadro geral de credores esteja consolidado. Após a publicação do quadro, o Juiz da Falência que determinará o pagamento”, explica Freitas. A lista totaliza, em 43 páginas, mais de R$30 milhões em débitos trabalhistas e outros R$200 milhões em tributos. A relação completa está no site www.freitasfreitas.adv.br. Já o processo de falência pode ser consultado no site do TJRS (www.tjrs.jus.br) pelo número 015 1140001841-4.



Ex-funcionários angustiados com demora

A maioria dos ex-funcionários da SüdMetal em Sapiranga, cerca de 400 trabalhadores seguem na expectativa por serem pagos, com rescisões chegando a até R$450 mil. Uma das poucas exceções é o caso de Gislaine Bomfim e outras 10 pessoas, que conseguiram receber parte do valor devido, graças a um processo individual, contra o antigo dono do prédio em Sapiranga. “O juiz leiloou uma chácara e dividiu entre a gente o valor. Foi um milagre”, conta. Mas, essa não é a realidade da maioria. Como Neusa Oliveira, que trabalhava na Süd desde 1999 e lá ficou até que fechou, em 2014. “Sempre vesti a camisa da empresa e para nós, era inacreditável a empresa falir”, conta Neusa, que se desenvolveu lá dentro e em 2014 atuava como assistente administrativo. Para ela, são devidos cerca de R$35 mil. “A maioria dos funcionários ali eram semianalfabetos, coitados. Trabalharam até 30 anos ali dentro, detonaram com a saúde e saíram de mãos abanando”, lamenta. Outro caso é o do Sr. Oscar Biratã Oliveira de Moura, 58 anos. Ele trabalhou na Süd por 18 anos e também não recebeu nenhum pagamento ainda. “Já faz cinco anos e nada, eu encaminhei a aposentadoria e também não veio”, relata. A dívida com ele, que ocupava o cargo de chefe dos fornos, é de cerca de R$100 mil. Ele já está há três anos desempregado.

Falcatruas sem fim

A situação do terreno é outro problema. Hoje, o prédio está completamente destruído e o local serve como ponto de descarte e tráfico de drogas. A prefeitura informou que está tomando as medidas pertinentes em relação aos atuais proprietários e que já realizou as devidas notificações. Já o empresário Renato Conill, presidente do grupo SüdMetal, em uma rápida busca na internet, surge com 396 processos indexados ao seu nome. Já foi condenado a prisão anteriormente por fraudes contra a receita, com desvios de mais de R$ 200 milhões em tributos, falsidade ideológica por 25 vezes e uso de documento falso por 23 vezes. Ele integrou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República entre agosto de 2009 e junho de 2014.


Texto: Sabrina Strack

Foto: Arquivo JR

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