Sapiranga – Desde novembro do ano passado, mais de 40 criminosos foram presos pela Polícia Civil de Sapiranga por envolvimento em crimes de extorsão, tortura, tráfico de drogas e por dois homicídios.
Conforme o delegado Clóvis Nei da Silva, os presos pertencem à mesma facção criminosa e atuam em diferentes frentes. “Esse grupo criminoso atua na agiotagem (empréstimo de dinheiro com cobrança de juros exorbitantes) e no tráfico de drogas. Quando a pessoa não paga, começam as extorsões. Muitas vezes até há uma quitação, mas, ainda assim, eles continuam extorquindo e quando a pessoa quer parar de pagar ou diz que não vai mais pagar, os criminosos passam a agir de forma mais violenta”, descreve o delegado. Além das ameaças por telefone e presencialmente, as cobranças também são feitas através de tortura, com agressões feitas, inclusive, com pedaços de madeira e marteladas. “A tortura, por vezes, vem de regra mediante um sequestro, retira do local e leva para um campo ou para alguma casa isolada”, complementa o delegado.
Uma das maiores operações ocorreu no dia 29 de maio. A ofensiva contou com a participação de quase 60 policiais civis, que cumpriram 11 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de prisão preventiva, sendo que cinco já estavam recolhidos no sistema prisional. Foram apreendidos também sete veículos, duas armas e munições, entre outros bens.

Para capitalizar o tráfico
O grupo criminoso conta com integrantes soltos, assim como líderes que atuam de dentro da cadeia. “Hoje, o grupo está presente na agiotagem e extorsão, mas originalmente atuava no tráfico de drogas; depois migrou também para essa prática. A maioria dos indiciados tem antecedentes por tráfico de drogas e a extorsão/agiotagem é uma forma deles se capitalizarem para o tráfico. Essa venda dos entorpecentes ainda é uma parte da atividade criminosa”, disse o delegado, orientando que moradores não negociem com agiotas/criminosos.
Prática comum do bando
O delegado explica que a prática de tortura já é comum da facção desde 2022. “Tivemos outras operações em que os integrantes do grupo, quando cometiam algum erro, eram torturados. O que percebemos é a crescente violência também com quem pede dinheiro”, explica ele, citando que uma pessoa chegou a ter os dentes arrancados pelos bandidos. “Tivemos o caso de um casal que estava devendo, como eles não achavam essas pessoas, acabaram pegando um familiar da mulher para toturar e forçar o pagamento”, relata.

Vítima pediu R$ 4 mil de empréstimo e bandidos cobraram R$ 60 mil
O delegado Clóvis conta que em um dos casos de extorsão, a vítima tinha uma dívida que iniciou em R$ 4 mil e chegou a ser cobrado R$ 60 mil, em razão de “juros”. Os pagamentos eram feitos por transferências e entregas em espécie a intermediários ligados ao grupo, sendo que parte das cobranças partia de criminosos já presos. “Diante da impossibilidade da vítima quitar o débito, em julho, ela foi abordada à força nas proximidades de casa, colocada em um veículo por indivíduos armados e levada a uma área de mata, onde foi espancada com socos, chutes, pauladas e marteladas”, conta. Cinco criminosos foram identificados. Três já estavam presos e outros dois também foram apontados como autores dos assassinatos de Gabriel Fabiano da Rosa Amado, 27 anos, e Kely Brenda dos Santos, 20, mortos no mês de agosto, em Taquara. Kely foi torturada e enterrada em um cova.

















































