Região – A nova rodada de tarifas imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros acendeu um alerta na indústria calçadista, especialmente em regiões onde o setor concentra milhares de empregos como os vales do Sinos e Paranhana.
Além da tarifa de 25% já aplicada sobre o calçado brasileiro, entrou em vigor uma sobretaxa de 12,5%, elevando a tributação total para 37,5% nas exportações destinadas ao mercado norte-americano. A medida foi publicada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que não terá efeito apenas na indústria calçadista, mas em toda a cadeia produtiva ligada ao setor. Segundo o USTR, os países que adotaram ou se comprometeram a implementar mecanismos efetivos para impedir a entrada de produtos ligados ao trabalho forçado receberam uma tarifa de 10%. Já aqueles que não adotaram medidas suficientes, são taxados em 12,5%, o que inclui o Brasil. Na prática, a medida encarece os produtos brasileiros que chegam ao mercado americano, podendo reduzir a competitividade com outros países.
Para entender os reflexos da medida na economia regional, a reportagem ouviu a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), que avalia os impactos do tarifaço.
Competitividade cai
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, avalia que a nova sobretaxa imposta pelos Estados Unidos agrava ainda mais a situação da indústria calçadista brasileira. “Piora o que já estava ruim”, resume. Segundo ele, a medida amplia a diferença tarifária entre o Brasil e concorrentes asiáticos, como Vietnã, Indonésia e Camboja, o que deve reduzir ainda mais a competitividade do calçado brasileiro no mercado norte-americano. A entidade também reforça a necessidade de ampliar o Reintegra, que hoje devolve apenas 0,1% em créditos às exportações.
Indicadores
O Vale do Sinos é o principal polo calçadista do Rio Grande do Sul e o terceiro maior do país. Em 2025, produziu 79,6 milhões de pares e exportou US$ 326,9 milhões, principalmente em calçados de couro. Já o Vale do Paranhana/Encosta da Serra fabricou 37,7 milhões de pares e exportou US$ 114,3 milhões, com predominância de calçados sintéticos. Os Estados Unidos estão entre os principais mercados dos dois polos, ao lado da Argentina, que também figura entre os principais destinos das exportações regionais. Nos dados abaixo, veja a evolução dos indicadores entre 2023 e 2025.
Produção de calçados do Polo no Vale do Sinos
2023: 81,0
2024: 84,3
2025: 79,6
Produção de calçados do Polo no Vale do Paranhana
2023: 36,3
2024: 38,7
2025: 37,7










































