O deputado estadual Delegado Zucco (Republicanos) subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul nesta terça-feira, 31, para fazer um alerta duro, quase incômodo, sobre a falta de prioridade na proteção de crianças no estado.
Zucco cobrou a imediata votação do Projeto de Lei 424, de 2024, de sua autoria, que cria a Patrulha Bernardo Boldrini, uma estrutura voltada ao atendimento rápido de denúncias e suspeitas de violência contra crianças e adolescentes.
O projeto já passou por todas as comissões da Casa, está apto para votação desde janeiro de 2026, mas segue fora da pauta do plenário.
Durante o discurso, o parlamentar comparou a tramitação do projeto com a sequência de casos recentes de violência extrema contra crianças dentro de casa.
“Enquanto outros projetos avançam, nós seguimos assistindo crianças sendo mortas dentro do ambiente familiar. Só neste período, seis crianças perderam a vida. E nós temos responsabilidade sobre isso”, afirmou.
Zucco citou casos recentes registrados no estado, incluindo homicídios, abusos, torturas e estupros contra menores, muitos deles ocorridos após o projeto já estar pronto para votação.
O deputado destacou que a Patrulha Bernardo foi construída em conjunto com instituições como Ministério Público, Defensoria Pública, Poder Judiciário, OAB e conselhos tutelares, e que teria custo zero para o Estado, sendo implementada junto às estruturas já existentes das forças de segurança.
“Criança não vota, não late e não tem voz”
O ponto mais contundente do discurso veio ao abordar a invisibilidade das vítimas: “Criança não vota. Criança não late. Criança não tem voz na imprensa. Criança só aparece quando morre.” Para Zucco, essa ausência de representatividade é justamente o que mantém o projeto fora da pauta. “Talvez nós tenhamos até mais crianças vítimas do que mulheres. Mas criança não vota. E, por isso, não tem prioridade”, criticou.
Cobrança direta ao Parlamento
Ao final, o deputado fez um apelo direto às lideranças partidárias para que o projeto seja incluído na pauta da próxima semana.
“Não é possível que um projeto que protege crianças fique parado por mais de um ano. Que na próxima terça-feira a gente não precise subir aqui para implorar votação, mas para comemorar uma lei que proteja quem hoje não tem voz.”
A proposta da Patrulha Bernardo leva o nome de Bernardo Boldrini, menino assassinado em um dos crimes mais emblemáticos do Rio Grande do Sul, e busca justamente evitar que tragédias semelhantes continuem acontecendo.


















































