Região – O anúncio do governador Eduardo Leite sobre a concessão de diversas rodovias gaúchas para a iniciativa privada e criação de pelo menos 12 novas praças de pedágio caiu como uma bomba nas regiões dos vales do Sinos e Paranhana. O tema virou pauta de manifestações de prefeitos, lideranças e comunidade.
Além do gasto com deslocamento de motoristas e estudantes universitários, por exemplo, as mudanças também afetariam diretamente os quarteis de bombeiros voluntários de Araricá, Nova Hartz, Igrejinha, Três Coroas, Rolante e Riozinho. Isso porque mensalmente os efetivos recebem, cada um, a quantia de R$ 15 mil da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) para realizar os atendimentos junto das rodovias, que no caso da nossa região são a RS-239, RS-115, RS-020 e RS-474. Se houver a privatização, essse convênio deixa de existir. Em contato com os comandantes e representantes das corporações, todos citaram que o assunto já é discutido com os efetivos e causa preocupação com os atendimentos de rotina. Os valores são utilizados para custeios importantes, como manutenção e compra de equipamentos importantes para que o serviço seja prestado com excelência.
No Serviço Civil Auxiliar de Bombeiro (SCAB), de Araricá, o valor repassando auxilia no pagamento de bombeiros efetivos, o que garante atendimento nos horários que não há voluntários, principalmente durante dia.
Lideranças das corporações se preocupam com o financeiro
“Se confirmar isso da concessão, o convênio acaba. Nenhuma empresa privada que assumir vai fazer repasse para uma parceria assim. Tenho bombeiros de várias cidades, que terão também que pagar de três a quatro pedágios para vir ser voluntário na nossa cidade”, Glaucio Dietrich, comandante de Nova Hartz.
“Para nós, isso vai impactar muito, perder uma arrecadação de R$ 15 mil/mês, pois acabamos deixando de investir em equipamentos e viaturas para atender a comunidade. Isso no orçamento do ano são R$ 180 mil deixados de investir na comunidade”, Leandro Gottschalk cmdt. em Rolante e Riozinho.
“Esse valor é de extrema importância, pois utilizamos para a aquisição de materiais e para manutenção de nossas viaturas”, Janilson Riegel Cristino, cmdt de Araricá.
Esse valor mensal é extremamente importante, fazemos aquisição de materiais, manutenção de veículos e até compra de veículos. Temos um fluxo gigantesco de ocorrência na RS-115 e RS-020, seria muito ruim perdermos esse recurso tão essencial”, Victor Thomazi, do quartel de Três Coroas.
Há cinco anos, Igrejinha tem o convênio; repasse está atrasado
Em Igrejinha, o convênio já completou cinco anos. No entanto, desde fevereiro não é repassado o valor mensal de R$ 15 mil, utilizado para manutenção e compra de equipamentos e com alimentação, conforme cita o comandante Graciano Ronnau. “Esse valor por mês é indispensável. Hoje, o município e nem nós, fora o convênio, temos a responsabilidade pela rodovia, ela é de responsabilidade única e exclusiva da operadora, do Daer, terceirizada para a EGR. Através do convênio, a gente atende vítimas feridas e faz remoção de árvores e animais. Se não houver mais o convênio, será opcional. Claro, não vamos deixar vítimas sem atender, mas não estaríamos agindo de forma ilegal”, completa.
O diretor-presidente da EGR, Luis Fernando Vanacor, explica que a renovação segue um rito “que as vezes demora na apresentação de documentação ou análise dos documentos, mas já estamos finalizando e providenciando a renovação”, disse ele.


















































