Por Isis Varggas é estrategista política
Com os resultados do primeiro turno já conhecidos, é hora de refletirmos sobre uma preocupação crescente: a abstenção nas eleições, especialmente em algumas localidades onde os eleitores simplesmente optam por não comparecer às urnas.
Quais são os motivos que levam a esse fenômeno? É possível realizar uma análise precisa? Embora a política não se resuma a exatas, ela é uma ciência que exige pesquisa, estudo e reflexão. Ao realizarmos uma análise breve, podemos identificar um dos fatores que têm contribuído para que Porto Alegre se destaque como a capital da abstenção: o radicalismo e a polarização ideológica.
Observando as últimas eleições municipais, notamos que os vereadores mais votados em Porto Alegre vêm de campos ideológicos opostos, com figuras proeminentes da esquerda e da direita recebendo expressivos números de votos, distantes dos demais candidatos.
A ascensão da abstenção na cidade é notável, iniciando-se em 2020, quando o índice superou os 30%. Antes disso, a média girava em torno de 20%. Essa mudança dramática, um aumento de 10% de eleitores que decidiram não ir às urnas, remete a um contexto mais amplo. Em 2018, a eleição de Bolsonaro acentuou a divisão política no país, polarizando ainda mais a sociedade. Muitas pessoas, ao se depararem com essa dicotomia, preferem afastar-se do debate político. E aqui não é uma crítica ao Bolsonaro ou ao Lula, é uma constatação, pois a direita desperta a partir de 2018 com a eleição de Jair Bolsonaro.
A realidade é que um número crescente de cidadãos se sente desrepresentado e cansado de discursos ideológicos carregados de raiva, que frequentemente abordam pautas nacionais, mas que têm pouco impacto na vida cotidiana dos moradores da cidade. Para muitos, especialmente os mais velhos, é mais fácil optar por ficar em casa do que se envolver nessa disputa acirrada. Essa dinâmica se reflete nas eleições, onde candidatos de ambos os espectros políticos acumulam votos significativos, enquanto os demais recebem votos em níveis medianos.
Diante desse cenário, é pertinente questionar: como será a eleição de 2026?












































